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As rádios portuguesas e o desafio do (on) line
Enquadramento:
O estudo que em seguida se apresenta faz parte de um conjunto de reflexões realizadas por investigadores do OberCom com base em dados apurados pelo projecto de investigação “O Impacto da Internet nos Mass Media Portugueses”, desenvolvido no âmbito da Fundação para a Ciência e Tecnologia e pelo CIES-ISCTE e tem como principal objectivo compreender as apropriações sociais da Internet no contexto radiofónico português.
Nesta análise, para além dos conteúdos e das formas de apropriação que as páginas das diferentes rádios espelham, procura-se salientar as perspectivas dos seus profissionais (jornalistas e animadores) sobre as mudanças introduzidas pelas novas tecnologias ao nível da produção, distribuição da informação e na relação com os ouvintes. Num segundo momento apresenta-se também uma discussão sobre a perspectiva dos profissionais sobre as tendências da rádio, em geral, e do jornalismo radiofónico em particular.
De entre as principais conclusões propiciadas por esta análise surge a constatação de que existe hoje uma cultura organizacional favorável ao uso da Internet no contexto radiofónico português.
Essa cultura manifesta-se no objectivo de ampliação da participação dos ouvintes, na multiplicação de plataformas de acesso à informação, nas rupturas de carácter funcional e conceptual promovidas e necessárias para transformar o modelo de rádio (de informação e de entretenimento) tradicional e, por último, na percepção por parte dos profissionais dos obstáculos (sociais, culturais e financeiros) com as que as rádios se deparam no curto e no médio prazo.
A rádio é hoje o media que em Portugal melhor explorou as potencialidades da Internet. A rádio conseguiu estabelecer quais os pontos de contacto entre as suas características inatas e as características oferecidas pela internet. A esse fenómeno não são alheios os modelos de negócio radiofónico (assente na publicidade), a facilidade de conversão e distribuição do sinal sonoro em formato digital e a acima de tudo a dimensão intimista da rádio, a qual se casa perfeitamente com a construção de redes sociais permitida pela Internet. A rádio e a Internet completam-se assim na procura de uma mais forte proximidade com aqueles que ontem, a ouviam, e hoje a ouvem mas também a vêem e interagem com ela: os ouvintes.
A rádio é um exemplo de como o surgir de uma nova tecnologia, neste caso a Internet (mas também o telemóvel e os sms), pode ser apropriado com o intuito de rejuvenescer um media ao mesmo tempo que potencia algumas das suas características mais singulares.
A RR optou por uma maior estabilidade dos modelos enquanto a TSF explorou mais as possibilidades oferecidas pela multimedialidade, hipertextualidade e interactividade.
No entanto, não se pode dizer que um modelo seja de maior sucesso face ao outro, na realidade o que se observa são dois modelos base destinados a cumprir objectivos também eles diferenciados.
No caso da TSF o objectivo é o de assegurar, no grupo de media a que pertence, a presença de referência na Internet. Ou seja, quem consome produtos como o JN, DN, 24Horas e procurar um maior aprofundamento noticioso pode fazê-lo através do serviço disponibilizado pela TSF na Internet.
Já a Rádio Renascença usa o seu site rr.pt com o objectivo de complementar a dimensão informativa já presente nos seus noticiários e programas e aumentar a sua notoriedade informativa junto dos ouvintes através do uso do on-line.
Quanto às três rádios de entretenimento portuguesas analisadas (RFM, Antena 3 e Rádio Comercial) é visível um esforço notável de potenciar diversas formas/ferramentas de interactividade, sob a lógica da complementaridade entre o site e a emissão off-line, numa clara estratégia de fidelização de um público jovem já familiarizado com as novas tecnologias da informação e da comunicação e, por isso mesmo, mais susceptível de aderir a novos formatos e modelos de comunicação.
Quanto ao ainda existente subaproveitamento das potencialidades de inovação oferecidas pela Internet por parte das rádios em análise, importa relembrar:
1) que é a rentabilidade económica que, tendencialmente, determina as opções tomadas e não a disponibilidade tecnológica;
2) que as audiências da emissão tradicional das rádios são significativamente superiores às audiências on-line não obstante estas tenderem a crescer;
3) que o crescente número de utilizadores não é por si só sinónimo de maior participação. Para esta ocorrer tem de ser potenciada pela rádio;
4) que as representações e as práticas profissionais tradicionais não se alteram apenas pelo surgir de uma nova tecnologia;
5) que as emissões radiofónicas tradicionais possibilitam a interacção no âmbito de alguns programas de informação noticiosa e de entretenimento que promovem.
A Internet veio permitir, em particular às rádios de entretenimento, um aprofundar da proximidade e intimidade com o ouvinte. Mas, a Internet também veio permitir à rádio um novo fôlego na informação, pois a sua presença on-line é sem dúvida quase sempre mais forte e de maior fôlego do que a proposta pelos seus mais directos competidores, a televisão e os jornais.
No campo da informação falta ainda à rádio vencer uma batalha. Essa é a de convencer, os que apenas a ouvem fora da Internet e navegam na Web regularmente em busca de notícias, que os sites da rádio são os que melhor servem o propósito da rapidez, complementaridade e aprofundamento de informação no mundo on-line.
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