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Antevisão Estudos OberCom - A utilização de software livre nos computadores pessoais, de Inês Pereira

O caso do software livre reveste-se de grande interesse actual, principalmente pela pluralidade de actores e motivações e das implicações tecnológicas desta engenharia em rede. Podendo ser analisado do ponto de vista de movimento social, consubstanciado na luta pela partilha do conhecimento e pela oposição a grandes empresas como a Microsoft ele passa em grande medida pelas motivações dos programadores e pelo impacto da utilização de um sistema maioritariamente gratuito em países em vias de desenvolvimento. Neste artigo a autora procura discutir um outro nível de penetração de software livre em Portugal que diz respeito, precisamente, à sua utilização em computadores pessoais. Como está a ser a utilização de software livre em computadores pessoais? Que tipo de utilizações são feitas? E por quem? Nos últimos anos tem aumentado significativamente a utilização do computador pessoal, bem como a de outros artefactos tecnológicos, que, progressivamente, vão penetrando nas casas dos residentes em Portugal. Os dados recolhidos no inquérito A Sociedade em Rede, indicam que 35,4% dos inquiridos possuem um computador pessoal fixo (a percentagem de indivíduos com computador portátil é muito mais reduzida, ficando-se abaixo dos 9%). De entre os indivíduos que possuem computador pessoal (fixo ou portátil), a esmagadora maioria (87,2) afirma ter como sistema operativo o Windows, sendo residual a utilização quer de sistemas proprietários alternativos (o mais conhecido é claramente o Mac-OS), quer do sistema operativo livre Linux (ou GNU/Linux).

Mas, se a utilização do sistema operativo livre é residual, o mesmo não se pode dizer da utilização de aplicações/programas específicos produzidos em software livre. Com efeito, 22% dos possuidores de computador afirmam utilizar habitualmente pelo menos um programa livre, o que já indicia uma penetração já considerável de algumas soluções de informática livre no mercado dos computadores individuais.

A autora considera que o tema da difusão do software livre é um tema emergente, sugerindo que este se começa a implementar não apenas entre profissionais do sector, ou em organizações públicas e privadas, mas também, já com alguma expressividade no nível doméstico. Todavia, a expressão do software proprietário é, ainda, massiva.

Por enquanto, a utilização do software livre é ainda refém de uma população com um perfil escolarizado, e com maiores capacidades de acesso a informação, de utilização de internet, etc. O desafio que se coloca agora aos programadores e activistas do movimento do software livre é, precisamente, ampliar o acesso à informática livre a populações mais afastadas do mundo tecnológico, as quais serão, precisamente, as que mais terão a ganhar com a difusão de aplicações informáticas gratuitas, tendencialmente cada vez mais amigáveis na utilização e com uma ampla comunidade de apoio.

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