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Antevisão - Estudo OberCom: Web 1.5: As redes de sociabilidades entre o email e a Web 2.0
A Internet, ao possibilitar múltiplas formas de interactividade e de comunicação, permite aos sujeitos, quer manter e reforçar os relacionamentos pré-existentes offline, quer abrir espaço para o jogo de construção de múltiplas identidades e de expansão das redes de relacionamento com pessoas anteriormente desconhecidas, assim como o esbatimento das fronteiras entre os mundos offline e on-line.
O presente Flash Report centra a sua análise nas ferramentas de comunicação e interacção em tempo real mais populares – IM (instant messaging, programas de mensagens instantâneas), SOE (social online environment, redes sociais on-line) e VoIP (voice over Internet protocol) – cujos modos de utilização confirmam o ciberespaço na sua dimensão comunicacional e enquanto espaço propício à desterritorialização das sociabilidades. Com base nos dados do inquérito por questionário ‘A Sociedade em Rede em Portugal 2006’, procurámos responder às seguintes questões: em Portugal, quais as taxas de utilização de IM, SOE e VoIP? Existem diferenças no perfil sociodemográfico dos seus utilizadores? Tem-se assistido à emergência de uma geração IM e/ou geração SOE? E ao nível do grau e intensidade das interacções on-line? Com quem interagem os sujeitos através do IM ou SOE? Quais os motivos subjacentes à utilização destas aplicações de interacção on-line?
Verificou-se que é no campo das sociabilidades (friend-to-friend, peer-to-peer) que maioritariamente se faz uso das Mensagens Instantâneas (IM) e das Redes Sociais Online (SOE). Existem, todavia, diferenças a destacar no uso destas aplicações uma vez que esse uso é mais elevado e intenso em determinados grupos sociodemográficos. Assim, foram identificados contrastes, sobretudo geracionais, de género e motivacionais para se ‘contactar’ e ‘estar on-line’. Em síntese, se o IM surge tendencialmente mais como meio de gestão quotidiana das relações de amizade, de proximidade e familiares, as quais se prolongam no mundo offline; os SOE tendem a constituir espaços de sociabilidade com os círculos de amigos mas também propícios à interacção com desconhecidos e à experimentação e desenvolvimento de relações mais fluidas e débeis, contudo mais criativas e performativas do próprio sujeito, que aí encontra não só um espaço de apresentação de si como também de representação de si, o que significa que é um espaço mais propício a jogos de identidade e ao desenvolvimento de novas formas discursivas.
Finalmente, são ainda de destacar algumas características comuns a estas aplicações. Ambas são redes de comunicação pessoal personalizada, investidas em termos identitários pelos sujeitos que as utilizam, e se ambas são produtoras de redes de self media que se vão multiplicando à distância, também geram ambientes de proximidade representacional, os quais substituem a proximidade espacio-temporal das interacções face-a-face.
Considerando o actual número de utilizadores portugueses de IM, e o seu previsível crescimento exponencial nos próximos anos, será interessante compreender como a partir daqui se pode potenciar o uso de IM e SOE, enraizando-os noutros domínios da vida quotidiana além das sociabilidades: enquanto ferramenta de comunicação e interacção no trabalho, e na escola e universidade. Persistem por ultrapassar, todavia, as incompatibilidades funcionais decorrentes de motivações concorrenciais entre os principais IM providers.
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